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Antropozóico – Jónatas Rodrigues

Está disponível a nova publicação Krrastzepy Verlag. Antropozóico, de Jónatas Rodrigues, inaugura a colecção CSI (coisas sem interesse)  e é, antes do mais, um livro pretensioso. Esta é uma condição necessária para merecer publicação. Não sabemos se reúne as restantes, nem sabemos que condições serão essas.

Paira e mergulha no universo das pessoas. É um livro incoerente na forma e já não tanto no conteúdo: uma primeira parte em prosa que em certos momentos alguém poderia chamar poética e uma segunda parte num formato talvez ensaístico, mas razoavelmente desorganizado.

Esperamos que agrade e desagrade.

Já mora nas bancas da livraria UniVerso, rua do Concelho, em Setúbal (junto à Câmara Municipal) e na bagageira do carro do editor.

Informações para aquisição através do mail:  jonatas@krrastzepy.pt

John Berger, 2001

Between the experience of living a normal life at this moment on the planet and the public narratives being offered to give a sense to that life, the empty space, the gap is enormous. The desolation lies there, not in the facts. This is why one third of the French population are ready to listen to Le Pen. The story he tells – evil as it is – seems closer to what is happening in the streets. Differently, this is also why people dream of “virtual reality”. Anything – from demagogy to manufactured onanistic dreams – anything, anything to close the gap! In such gaps people get lost, and in such gaps people go mad.

(John Berger, ‘A Bed’ in ‘The Shape of a Pocket’, 2001)

No Bosque do Espelho – Alberto Manguel

«Os poemas ou as histórias que nos redimem (ou nos quais encontramos o mesmo tipo de redenção) estão a ser escritos ou já foram escritos e esperam que os leitores, ao longo do tempo, uma e o9789722038331utra vez, assumam isto: que a mente humana é sempre mais sábia do que os seus mais atrozes feitos, desde que lhes possa dar um nome; que na própria descrição dos nossos actos mais abomináveis algo na boa escrita os mostra como abomináveis e portanto não conquistáveis; que apesar da debilidade e da arbitrariedade da linguagem, um escritor inspirado pode contar o impronunciável e atribuir uma forma ao impensável, para que o mal perca alguma da sua qualidade divina e fique reduzido a algumas palavras memoráveis.»

Terra Fresca – João Leal

Terra-Fresca

João Leal é um criador/contador de histórias notável. Como já tinha acontecido com o Alçapão, utiliza muito bem o seu universo de conhecimento e experiências na construção da narrativa. Desta vez foi mais longe e meteu-se de cabeça dentro da história.

Contém, nas voltas da narrativa e entre muitas outras coisas, uma reflexão sobre o livre arbítrio e a predestinação, essa antiquíssima questão, irresolúvel com os dados que temos ao dispor (é um sistema de n equações com n+1 incógnitas). E por ser irresolúvel está sempre presente, como um motor de pensamento em movimento rotativo – um movimento que mesmo não chegando onde supostamente pretende, cria caminhos para direcções não pensadas e consequentes. Ilustra muito claramente consequências do conceito da predestinação que normalmente não são levadas tão longe.

Quanto à forma da escrita é bastante despojado, numa forma coloquial, o que facilita a leitura e enfatiza a narrativa e, mais importante que tudo, soa natural.