Fragmentos de «A Porta do Sol», de Elias Khoury

 

Nesses dias, meu amigo,  tínhamos medo das pessoas assassinadas. Não tínhamos medo dos assassinos, mas dos assassinados.Tínhamos medo da cal viva. Tínhamos medo que os mortos se levantassem e avançassem para nós, trazendo consigo a cal que os cobria e as nuvens de moscas que os rodeavam.

(…)

Ele amava-a como se ela fosse a mulher de outro homem.

(…)

O peixe do mar de Tiberíades não acaba. A Galileia é isso, peixe, Cristo e pescadores. Eles não conhecem a Galileia. Tentam criar uma indústria de pesca. Como podem industrializar a água sobre a qual caminhou Cristo?

(…)

Pendurarei aqui todas as fotografias. Viveremos rodeados pelas fotografias.

Tirarei uma da parede, dou-ta e tu contarás uma história. Depois dar-te-ei outra, e tu contarás outra história. Suceder-se-ão as histórias.

Assim, organizaremos a nossa história desde o início, sem deixar uma única falha por onde a morte se possa infiltrar.

(Fragmentos de «A Porta do Sol», de Elias Khoury)

GYMNOBASILEIDA

Rafael João Baptista Ups nasceu em Setúbal em 1972, mas é um pouco mais novo do que isso. Passou a infância a cumprir os seus deveres, entre pausas para brincar. Leu muitas coisas e estudou algumas outras, chegando mesmo a licenciar-se, embora sem grande convicção. Trabalhou em diversas áreas: foi servente de pedreiro, administrativo, professor e motorista dos transportes públicos (não necessariamente por esta ordem). Actualmente vive e escreve. Nas horas vagas trabalha como estafeta. Gymnobasileida é o seu primeiro título publicado.
Gymnobasileia é poesia sem amarras, talvez o livro mais feio de 2014 (excepto a capa): uma epifania, para desagradar a gregos e a troianos.
Gosta de se arrepender? então encomende em verlag@krrastzepy.pt ou jonatas.scr@gmail.com.
Preço? em euros, o primeiro dos cubos perfeitos, excluindo a unidade. Barato, portanto.