Arquivo da categoria: Lego ergo sum

Vilém Flusser, 1983

Images are mediations between the world and human beings. Human beings ‘ex-ist’, i.e., the world is not immediately accessible to them and therefore images are needed to make it comprehensible. However, as soon as this happens, images come between the world and human beings. They are supposed to be maps but they turn into screens: Instead of representing the world, they obscure it until human beings’ lives finally become a function of the images they create. Human beings cease to decode the images and instead project them, still encoded, into the world ‘out there’, which meanwhile itself becomes like an image – a context of scenes, of states of things. This reversal of the function of the image can be called ‘idolatry’; we can observe the process at work in the present day: the technical images currently all around us are in the process of magically restructuring our ‘reality’ and turn it into a ‘global image scenario’. Essentially this is a question of ‘amnesia’. Human beings forget they created the images in order to orientate themselves in the world. Since they are no longer able to decode them, their lives become a function of their own images: Imagination is turned to hallucination.

(Vliém Flusser, ‘Towards a Philosophy of Photography’, Reaktion Books)

John Berger, 2001

Between the experience of living a normal life at this moment on the planet and the public narratives being offered to give a sense to that life, the empty space, the gap is enormous. The desolation lies there, not in the facts. This is why one third of the French population are ready to listen to Le Pen. The story he tells – evil as it is – seems closer to what is happening in the streets. Differently, this is also why people dream of “virtual reality”. Anything – from demagogy to manufactured onanistic dreams – anything, anything to close the gap! In such gaps people get lost, and in such gaps people go mad.

(John Berger, ‘A Bed’ in ‘The Shape of a Pocket’, 2001)

No Bosque do Espelho – Alberto Manguel

«Os poemas ou as histórias que nos redimem (ou nos quais encontramos o mesmo tipo de redenção) estão a ser escritos ou já foram escritos e esperam que os leitores, ao longo do tempo, uma e o9789722038331utra vez, assumam isto: que a mente humana é sempre mais sábia do que os seus mais atrozes feitos, desde que lhes possa dar um nome; que na própria descrição dos nossos actos mais abomináveis algo na boa escrita os mostra como abomináveis e portanto não conquistáveis; que apesar da debilidade e da arbitrariedade da linguagem, um escritor inspirado pode contar o impronunciável e atribuir uma forma ao impensável, para que o mal perca alguma da sua qualidade divina e fique reduzido a algumas palavras memoráveis.»

Brumas

(…)

Fui branca torre, baluarte distante

Disparei longe olvidado canhão

Descarrego rajadas de noite no silêncio

Certeiras alcançam nenhum coração

(…)

(Alexandre Alves-Rodrigues, “Sou de um país feito de brumas”)

http://bloguedeumhomemso.blogspot.pt/2016/03/sou-de-um-pais-feito-de-brumas.html

 

Conservador progressista

Vanguardismo sim, experimentalismo também, irreverência e audácia fundamentais (sem elas como dar voz ao futuro?).  Mas tudo dentro dos cânones, boas maneiras, reverência, cultura evidentemente (o futuro é o que o passado nos legou). Este o credo do conservador progressista. Prolifera em terras de medo, atinge proporções endémicas.

(Jorge Roque, “Uma Escada que Sobre pelos Degraus de Ti”, in Cão Celeste #5)

Break the Cycle

I’m afraid the initial response of empathy after these attacks will again be hijacked by incitements for hatred and violence, by new calls justifying even more “war on terror.” I’m afraid that the “welcome” towards refugees will be brought down by fear. But rather than adding more fuel to the fire, which will only result in more deaths and in more wish for revenge, we must finally wake up and step out of the insanity of a system, which produces the terrors it pretends to be fighting.

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Porque é que isto me faz lembrar alguma coisa?

«… O essencial de uma boa e verdadeira aristocracia é que ela se creia não uma função, seja da realeza, seja da comunidade, mas seu sentido e sua justificação mesma; por  isso é necessário que ela aceite sacrificar, de coração ligeiro, uma multidão de pessoas que deverão ser, no seu interesse, humilhadas e rebaixadas ao estado de seres mutilados, de escravos, de instrumentos. sua crença fundamental, com efeito, deve ser que a sociedade não existe para si mesma, mas que ela é a sub-estrutura e o arcaboiço que permite a uma elite elevar-se a um estado superior, seja em virtude de uma missão superior, seja simplesmente no seu próprio interesse.»

Nietzsche, “Para Além do Bem e do Mal”, in “Hitler e as Religiões da Suástica”, de Jean e Michel Angebert