Alexandre Soljenitsine, “Arquipélago de Gulag”, Vol I

As nossas canetas russas escrevem a traços largos. Temos sofrido enormemente e disso quase nada foi escrito. Mas para os autores ocidentais, com a sua preocupação de examinar à lupa as células do organismo, agitando a ampola farmacêutica sob a luz dos projectores, isto é uma verdadeira epopeia, que permitirá acrescentar dez tomos à Procura do Tempo Perdido, descrevendo o pânico do espírito humano quando numa cela há uma sobrelotação vinte vezes superior à prevista, e não há baldes, só sendo permitido ir à latrina uma vez por dia!

(Alexandre Soljenitsine, “Arquipélago de Gulag”, Vol I)

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